"A criação intelectual, o mais misterioso e solitário dos ofícios humanos."
(Gabriel García Marquez)
Da Bienal do Livro desse ano eu trouxe, entre outros livros, O mundo dos jornalistas de Isabel Travancas. Depois de ler Sobre a Televisão de Pierre Bourdieu, eu quis saber mais sobre a realidade da profissão que escolhi.
Bourdieu faz uma análise do campo jornalístico, expondo as relações sociais desse grupo e a fabricação de notícias, como elas influenciam na opinião pública, na economia, etc.Também faz uma crítica voraz às censuras invisíveis que ditam a regra do jogo entre esses profissionais. Minha professora de Sociologia e Antropologia alertou: alguns alunos que leram o trabalho de Bourdieu "desencantaram" da profissão. Não foi o meu caso.
Não que eu discorde de Bourdieu, me parece lógico que exista um novo tipo de censura no Jornalismo de hoje. Mas ainda acredito que ser Jornalista é ser uma testemunha do nosso tempo. E isso, para mim significa muito e sei que também exige muito.
O livro de Isabel Travancas é uma etnografia, descreve detalhadamente o dia a dia dos profissionais principalmente da imprensa escrita, sem deixar de lado os profissionais de rádio e TV. A antropóloga (e jornalista) acompanhou jornalistas mais jovens (com 4 anos de carreira) dos três veículos de comunicação em um dia de trabalho e também entrevistou os eternos jornalistas, como Sérgio Augusto, Janio de Freitas e Zuenir Ventura.
Marquei muitos pontos do livro que eu gostaria de comentar aqui, mas hoje tenho vontade de escrever principalmente sobre os desafios dos novos jornalistas.
Primeiramente, essa profissão está longe de ser cheia do glamour sugerido pelos filmes hollywoodianos, principalmente nos dias de hoje. Um jornalista nunca recebe o que merece pelo seu trabalho (assim como professores!), não é dono do seu tempo, é um escravo da tensão do dia a dia.
Luís Paulo Horta também enfatiza que no início a adaptação é muito difícil:
"Você tem que abrir mão de ser rebelde, e o jornalista é, por definição, um questionador. Na primeira etapa, parece uma camisa de força, porque você é o intérprete da opinião do jornal. E fica com medo de perder o senso crítico. O primeiro ano foi difícil, um desafio. Além disso, é preciso ter um temperamento que abdique da matéria assinada."
"A capacidade de se interessar por tudo é, para Luís Paulo Horta, uma das primeiras qualidades de que um jornalista precisa para ser competente. (...) Estar preso a ideologias e preconceitos é, a seu ver, um ponto negativo para um bom profissional, pois não adianta ter vocação se o preconceito amarrá-lo."
Gosto dessa ideia de ser imparcial ao relatar fatos, mas como disse o jornalista citado acima, é mais difícil do que parece ser crítico e ao mesmo tempo "não tomar partido". Um jornalista não pode ser um militante, já diz Zuenir Ventura. Tenho certeza que esse vai ser um grande desafio para mim...
Um dos entrevistados (no momento, não me qual deles) diz ainda que nossa geração foi formada pela TV e não por livros, e por isso um outro grande desafio é a produção textual. Ele considera que a maior parte dos jovens jornalistas tem dificuldades para escrever, e geralmente escrevem mal. O que também contribui para esse fato é a corrida contra o tempo para produzir a matéria.
Sinceramente, apesar de ler muito, tenho um certo receio quando escrevo uma matéria. Estou apenas no segundo período da faculdade, mas até hoje não aprendi muito sobre redação jornalística. Pra falar a verdade, minhas aulas de Redação I têm sido uma repetição do Ensino médio. E eu estou anciosa para aprender a técnica... Prática leva à perfeição, certo?
Mas apesar de todos esses desafios e problemas devo dizer que começa a nascer em mim a tal paixão pelo Jornalismo. Principalmente pelos jornais... e segundo a antropóloga isso é essencial.

Nenhum comentário:
Postar um comentário